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Fantástico

Nesse momento eu fui para a cozinha para servir uma xícara de café para mim, também lhe ofereci, mas ele estava tão concentrado na leitura que nem me ouviu. Estava na cozinha quando ouvi um grito cheio de terror, corri de volta para o quarto e o vi, deitado no chão que estava cheio de sangue que emanava de seu peito sem nenhuma contemplação. 


Tentei estancar o sangramento, todas minhas tentativas foram em vão, não sei quem chamou a polícia, suponho que um vizinho. Quando bateram na porta fiquei em choque, me levantei do chão e abri; não perguntei quem era, quando entraram ouvi a polícia chamar uma ambulância, mas já sabia que era tarde demais para isso. As perguntas começaram, uma atrás da outra, incessantes, mas eu não tinha respostas porque eu queria que alguém respondesse minhas perguntas, principalmente uma, o que aconteceu? 


A polícia continuou insistindo, eu entendi que era o trabalho deles, mas também esperava que entendessem que estava tão atordoada e confusa como eles. Vi que as pessoas ao meu redor tiravam fotos, coletavam amostras e faziam perguntas aos vizinhos; mas só olhava algo em específico, uma caneta coberta de sangue, a mesma caneta que eu usava para escrever minha história sobre um assassinato cujo assassino nunca foi encontrado, a mesma que eu havia dado ao meu amigo para anotar suas observações... 


Uma coisa tão comum, uma mundana caneta me provocava o mais puro terror porque, embora pareça ilógico, era uma explicação para tudo. O mundo girou e volveu a seu lugar em minutos, meu coração batia como se fosse a sair de meu corpo, passo a passo tremendo como uma folha ao vento me aproximei ao oficial da polícia por primeira vez desde que entraram no apartamento e disse com a voz quebrada: 

-Minha caneta o matou 

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